Nome feio, obscenidade, grosseria, impropério, insulto, blasfêmia, indecência ou apenas advérbio de intensidade…

 

 

O Falatório desta semana é sobre uma pesquisa relacionada a pessoas que falam palavrão… Há quem diga que pronunciá-lo, equivale a uma sessão de terapia. Será?

Tenho cara de quem fala palavrão? Não? Errou, falo um tantão!

Duas coisas me fizeram falar sobre isso: 1º porque sou professora de Psicologia há mais de 20 anos e, pela primeira vez, um aluno reclamou que falo muito palavrão em sala de aula. E reclamou por escrito, provavelmente até o reitor da universidade leu!

Mas é fato…

E há poucos dias um post circulou no Facebook, que, segundo uma pesquisa americana, quem fala palavrão é mais honesto e confiável.

Eu, que assumi um compromisso comigo no início deste ano de falar menos, pelo menos em sala de aula, descobri que por causa deles posso ser considerada mais honesta e confiável!! Fiquei feliz porque não consegui parar de falar inteiramente.

Explico: uso muito o palavrão como advérbio de intensidade. E aí não há comparação: “puta livro bom” é muito diferente de “livro excelente”. No começo do semestre consegui segurar. Depois fazia assim: (falava o palavrão sem o som). Muuuito difícil não falar…

Nunca houve reclamação contra mim por distratar, desrespeitar ou ofender aluno. Pelo contrário, sou bem avaliada nesse quesito. Mas como o palavrão vem em conexão direta do sistema límbico, o centro das emoções, ele sempre entrega a intensidade do que estamos sentindo, daí a pesquisa sobre honestidade…

Talvez, porque procurei um tanto sobre ela e não achei. As pessoas falam: uma pesquisa americana, etc, etc, etc. Quem escreveu cacete? Em que universidade? Quero ler a pesquisa toda, porra! Saber se é séria, conhecer como chegaram aos resultados. Não é porque falo palavrão que sou ignorante!!

Uma das provas que vem do centro das emoções é que algumas pessoas que tem AVC, tem a área da fala afetada e não conseguem articular frases, mas falam muito bem palavrões. Eles estão lá, à disposição, prontinho pra serem expelidos…

O palavrão é econômico porque é sintético e é expressivo porque é intenso!!

Expressa tudo quanto é emoção, não só raiva e frustração. Quer ver? Quando amigos homens se telefonam:

– E aí pau no c#, como é que tá?

-Eu to bem, e você veado? Porra, seu filho da p#t@, quando vem me visitar?

Quanto mais amigo, quanto mais gosta, mais xinga com palavrões…

Homens. Mulheres não. A gente não fala:

-E aí, sua galinha, tudo bem?

– Tudo sua filha da p#t@, quando vem me visitar?

Se alguém falasse isso seria uma ofensa, um horror! Por que homens sim e mulheres não?

História, cultura, hábitos, acho que mil aspectos justificam essa diferença. As feministas lutam também por esse direito, já viram? Na pauta da igualdade está o direito a falar palavrão!! Ué, por que não?

E você aí, fala palavrão?

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